terça-feira, 10 de maio de 2016

Senado aprova cassação de mandato de Delcídio Amaral

Senado aprova cassação de mandato de Delcídio Amaral Geraldo Magela/Agência Senado/Divulgação

Em pouco mais de uma hora, sem sinais de comoção ou constrangimento, o Senado cassou, na noite desta terça-feira, o mandato do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), ex-líder do governo Dilma Rousseff na Casa. Foram 74 votos favoráveis, nenhum contrário e apenas uma abstenção.


Fora do PT desde março, o delator da Operação Lava-Jato cuja punição foi acelerada por pressão do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), se tornou o terceiro senador da história a sofrer a condenação – o primeiro foi Luiz Estevão (PMDB-DF), em 2000, e o segundo, Demóstenes Torres (DEM-GO), em 2012.

O processo de Delcídio se arrastava desde dezembro do ano passado, quando a Rede e o PPS entraram com representação contra ele no Conselho de Ética, após a sua prisão. Na última segunda-feira, a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) adiou a análise do caso.

A postergação irritou Renan, que decidiu condicionar a votação do impeachment de Dilma ao exame do caso de Delcídio – e ganhou a briga. A reviravolta surpreendeu até o acusado.

– Estou aqui há 13 anos e nunca tinha visto tanta celeridade – ironizou Delcídio.

Oficialmente, Renan argumentou que o Senado não poderia repetir o equívoco cometido pela Câmara, onde a o processo de Dilma andou mais rápido do que o do ex-chefe do Legislativo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também ameaçado de cassação.

– O que Renan quis fazer foi diferenciar o Senado da Câmara – afirma a senadora Ana Amélia Lemos (PP).

Nos bastidores, a justificativa vai além da tentativa de evitar críticas da opinião pública. Renan teria optado por agilizar a sanção a Delcídio por receio de que o ex-petista decidisse se manifestar na sessão desta quarta-feira, causando embaraço aos colegas.

– Renan tinha medo de que Delcídio abrisse a boca e citasse detalhes das delações. Não podemos esquecer que no Senado são 13 investigados pela Lava-Jato, inclusive ele próprio – diz um senador que prefere não ser identificado.

Também teria pesado na decisão a pressão exercida por Dilma e seus interlocutores, de quem Renan era aliado. A presidente estaria incomodada com a possibilidade de ter o antigo correligionário entre seus algozes – Delcídio já havia manifestado publicamente a intenção de votar contra ela, engrossando o coro do impeachment.

A sessão que definiu o destino de Delcídio começou às 18h20, em meio a burburinho. Telmário Mota (PDT-RR), relator do caso no conselho de ética, e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), na CCJ, mal foram ouvidos. Mota leu parecer favorável à perda do mandato e Ferraço confirmou a constitucionalidade do processo.

Depois, foi a vez de Randolfe Rodrigues (Rede-AP) se manifestar. Ele leu trechos da gravação na qual Delcídio foi flagrado tramando a suposta fuga do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, também envolvido na Lava-Jato.

– Me parece inconteste que a dignidade do Senado foi afrontada e atingida – disse Rodrigues.

Um dos poucos a defender o ex-petista na tribuna foi José Medeiros (PSD-MT). Ele afirmou ter testemunhado "verdadeira demonização" do colega, quando os senadores souberam que ele havia se tornado delator.

– Se mostrou que, se crime ele cometeu, poderia ser comparado a crime de menor poder ofensivo – ponderou Medeiros.

O plenário ficou em silêncio quando Renan abriu espaço para o pronunciamento de Delcídio ou de seu advogado. Como ninguém apareceu, o presidente suspendeu a sessão e nomeou um servidor como defensor. Ele leu os argumentos da defesa, mas o barulho de conversa era tanto que se sobrepôs.

Depois disso, às 19h35min, o painel eletrônico foi aberto à votação. O resultado não provocou surpresa, e os senadores deixaram o local sem grande alarde.

Embora tenha se ausentado, o advogado de Delcídio, Antonio Figueiredo Basto, informou em entrevista à imprensa que irá apresentar mandado de segurança ao Supremo Tribunal Federal para questionar a decisão do Senado.

– A decisão é absolutamente nula e vamos impugná-la na Justiça – afirmou


segunda-feira, 9 de maio de 2016

Em meio a evento, Dilma recebe notícia de anulação do processo de impeachment e pede cautela

Em meio a evento, Dilma recebe notícia de anulação do processo de impeachment e pede cautela Diego Vara/Agencia RBS


O tom de um evento em Brasília com a presidente Dilma Rousseff mudou completamente nesta segunda-feira.


Em cerca de 60 minutos, passou da resignação pela iminente derrota de Dilma no Senado à euforia do grupo de apoiadores do governo. O motivo da comemoração petista foi a informação de que o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), havia pedido a anulação do processo de destituição da presidente.

Em seguida, Dilma atacou novamente o processo de impeachment, classificado por ela como um "golpe". Por mais de uma vez, teve que pedir silêncio para conseguir concluir a sua manifestação.

– Vai ter muita luta. É um golpe contra várias coisas que a democracia propiciou – mencionou.

Antes do pronunciamento de Dilma – e do anúncio da decisão de Maranhão –, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, falou em tom de despedida do governo durante cerimônia de anúncio de criação de universidades federais. Mercadante chegou a declarar que a presidente deixará um "legado" para o ensino brasileiro caso seja afastada do poder.

– O que a senhora fez, e o governo Lula também, foi colocar os pobres na escola para ter o direito de aprender – comentou.

Em seguida, Dilma atacou novamente o processo de impeachment, classificado por ela como um "golpe". Por mais de uma vez, teve que pedir silêncio para conseguir concluir a sua manifestação.

– Vai ter muita luta. É um golpe contra várias coisas que a democracia propiciou – mencionou.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ministro do STF afasta Eduardo Cunha do mandato na Câmara


Teori quer levar decisão sobre Cunha ao plenário do STF nesta quinta-feira Nelson Jr./Divulgação



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato, determinou nesta quinta-feira (5) o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do mandato de deputado federal e, consequentemente, da presidência da Casa. A decisão de Teori é liminar (provisória) e deve ser analisada nesta tarde pelo plenário da Corte.

Um oficial de Justiça foi à residência oficial do presidente da Câmara logo no início da manhã para entregar a notificação para Cunha. A assessoria do deputado informou que ele está "tranquilo" e vai recorrer da decisão.
Veja aqui a íntegra da decisão de Teori Zavascki.

O ministro Teori concedeu a liminar em ação pedida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em dezembro, que argumentou que Cunha estava atrapalhando as investigações da Lava Jato, na qual o deputado é réu em uma ação e investigado em vários procedimentos.

Antes de Teori divulgar sua decisão, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, havia marcado para a tarde desta quinta uma sessão no plenário para discutir outra ação sobre Cunha, apresentada pela Rede, que também pede o afastamento do presidência da Câmara.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Relator diz que impeachment não é golpe e dá parecer favorável a processo contra Dilma

Relator diz que impeachment não é golpe e dá parecer favorável a processo contra Dilma Marcos Oliveira/Agência Senado


O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), relator da Comissão Especial do Impeachment no Senado, recomendou a abertura do processo contra a presidenteDilma Rousseff na sessão desta quarta-feira. Anastasia descreveu como "fatos criminosos" a abertura de créditos suplementares sem autorização do Congresso e a contratação ilegal de operações de crédito com instituição financeira controlada pela União, as chamadas pedaladas fiscais.


Na conclusão de seu relatório, que tem 126 páginas, o senador sugere a admissibilidade do processo pela casa: "Em face do exposto, a denúncia apresenta os requisitos formais exigidos pela legislação de vigência, especialmente pela Constituição Federal, para o seu recebimento. O voto é pela admissibilidade da denúncia, com a consequente instauração do processo de impeachment, a abertura de prazo para a denunciada responder à acusação e o início da fase instrutória".

A sessão, que começou por volta das 14h15min, teve um início tumultuado por sucessivas questões de ordem apresentadas por senadores da base aliada ao governo. A senadora Gleisi Hoffmann, por exemplo, questionou o fato de, na terça-feira, durante a exposição de especialistas contrários ao impeachment, o relator ter se ausentado para escrever seu voto. O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), classificou o questionamento como um ato de desespero de quem quer retardar o processo.

O senador também aproveitou para criticar a presidente Dilma Rousseff por chamar o processo de golpe. Segundo Anastasia, o processo é legítimo e não configura sequer "ruptura institucional": "Cabe refutar as insistentes e irresponsáveis alegações, por parte da denunciada, de que este processo de impeachment configuraria um 'golpe'. Em primeiro lugar, nunca se viu golpe com direito a ampla defesa, contraditório, com reuniões às claras, transmitidas ao vivo, com direito à fala por membros de todos os matizes políticos, e com procedimento ditado pela Constituição e pelo Supremo Tribunal Federal (STF)" diz o tucano, que considerou o discurso da presidente uma "tentativa de deslegitimar a própria figura do impeachment". Ele ressaltou ainda que um modelo presidencialista sem a possibilidade de impeachment seria "o melhor de dois mundos" e conferiria ao presidente um poder "absolutista", o que não seria compatível com uma sociedade democrática.

O relatório se limita aos crimes tipificados na denúncia aceita pela Câmara dos Deputados, em relatório escrito por Jovair Arantes (PTB-GO), mas Anastasia afirmou em seu relatório que, após instauração do processo, novos fatos possam ser somados à denúncia. "Uma vez (e se) instaurado o processo, a denunciada deverá se defender dos fatos narrados, e não da tipificação jurídica proposta na denúncia e aceita pela Câmara dos Deputados", escreve o senador.

terça-feira, 3 de maio de 2016

STF deve receber dois pedidos de investigação contra Dilma e Lula

STF deve receber dois pedidos de investigação contra Dilma e Lula Nelson Almeida/AFP




Os problemas da presidente Dilma Rousseff estão longe de acabar, saia ela do cargo ou mantenha-se nele. Nos últimos dias, duas más notícias surgiram para a mandatária do país no front da luta jurídica.

A primeira é que a Procuradoria-Geral da República (PGR) já tomou a decisão de pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito contra Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A base é a colaboração premiada, na Operação Lava-Jato, do senador Delcídio Amaral (ex-líder do governo no Senado, eleito pelo PT de Mato Grosso do Sul e hoje sem partido). O parlamentar diz que a presidente e seu antecessor tentaram influenciar, junto aos tribunais superiores (STF e STJ), para que a Lava-Jato seja brecada.

O pedido de investigação, por "tentativa de obstrução da Justiça", foi divulgado pela Folha de São Paulo e confirmado a Zero Hora por um procurador da República. Deve ser juntada na investigação a interceptação telefônica de diálogo em que Dilma oferece ministério a Lula. A PGR está convencida que isso foi feito para garantir foro privilegiado ao ex-presidente contra investigações que poderiam ser feitas pelo juiz Sergio Moro, no Paraná. Esse magistrado tem se notabilizado por sentenças rápidas.


A outra investigação que pode atingir Dilma é sobre a usina nuclear de Angra III (RJ). O juiz federal Marcelo Brêtas, que investiga no Rio de Janeiro o caso de corrupção para obras bancadas pela estatal Eletronuclear, enviou ao ministro Teori Zavascki, do STF, material que faz referência a Dilma e ao ex-ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB) no esquema de beneficiamento de empreiteiras na ampliação das centrais nucleares em Angra dos Reis.


Dilma era contrária à obra quando ministra das Minas e Energia de Lula, mas mudou de posição em 2007 e, quando na Casa Civil, apoiou a construção de Angra 3. A PF diz que a obra foi consolidada mediante propina paga por empreiteiras. O conteúdo das menções a Dilma, encontradas na casa de um ex-diretor da Eletronuclear, não foi revelado pela PF.







sábado, 30 de abril de 2016

Temer prepara primeiras ações de seu governo

Temer prepara primeiras ações de seu governo | Foto: Antonio Cruz/ ABr / CP


Ao contrário do que afirmou tão logo a ação de impeachment teve a sua admissibilidade aprovada no plenário da Câmara dos Deputados, o vice-presidente Michel Temer criou um comitê para discutir a ocupação de cargos, conversa com políticos, faz convites, e projeta ações para os primeiros dias do seu eventual governo como presidente da República. Entre as medidas de ajuste no governo estaria a adoção de uma nova idade mínima para a aposentadoria de homens e mulheres, 65 anos, por exemplo.


Para dar início ao governo com alguma margem de estabilidade, já que há a convicção entre pessoas próximas a Temer de que ele teria 60 dias para se consolidar no cargo ou poderá ser sufocado por contestações, resultando em uma nova crise, aliados do vice têm se dividido em dois grupos nas últimas semanas. Uma equipe articula propostas, com base nos documentos “A travessia social” e “Uma ponte para o futuro”, elaborados pela Fundação Ulysses Guimarães, braço acadêmico do PMDB destinado a formular políticas a serem desenvolvidas pelos governos do partido no país. Outro grupo trata do mapa de cargos e ministérios, estuda a distribuição de poder entre aliados no futuro governo do peemedebista.

A necessidade de reduzir o número de ministérios, no entanto, tem sido vista como um problema, já que os apoiadores do impeachment querem agora a sua fatia na eventual administração do PMDB. Outra dificuldade está ligada ao fato de que, no partido, há cobranças para que a sigla ocupe os ministérios mais importantes, assumindo papel protagonista na administração federal em contrapartida ao que consideram ter sido o segundo plano em que teriam permanecido durante a gestão Dilma Rousseff.

Dólar cai 1,57% e fecha com menor valor desde julho de 2015

Moda americana encerrou o dia cotada a R$ 3,4374 no mercado à vista | Foto: Bulent Kilic / AFP / CP


Esta sexta-feira foi de queda do mercado de câmbio. O dólar fechou em baixa de 1,57%, cotado a R$ 3,4374 no mercado à vista, menor valor desde 31 de julho de 2015. A moeda norte-americana recuou mesmo com a realização de quatro leilões de swap cambial reverso feitos pelo Banco Central, na tentativa de conter as cotações.


O dólar foi pressionado pela atuação de investidores vendidos no mercado futuro (que apostam na baixa), de olho na formação da ptax de fim de mês, e pelo recuo do dólar também no exterior. Só que o movimento no Brasil foi mais intenso que o visto lá fora, em função da perspectiva positiva em torno de um futuro governo Michel Temer.

Na primeira operação com swaps reversos do dia, o BC acabou colocando apenas 9.600 contratos (US$ 541 milhões) dos 20.000 oferecidos. E o dólar começou a marcar mínimas ante o real. Isso fez o Banco Central agir de novo. A instituição convocou para as 10h30 novo leilão de swap reverso, de 10.400 contratos (US$ 520 milhões). Novamente, vendeu menos que o ofertado: 3.000 contratos (R$ 150 milhões). Com a pressão dos vendidos, o recuo do dólar no exterior e o relativo insucesso do BC, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 3,4301 (-1,78%).

Após a mínima do dia, o BC ainda voltou ao mercado duas vezes com swap reverso: ofertou 20.000 contratos (US$ 1 bilhão) às 11h30 e vendeu 16.000 contratos (US$ 800 milhões); ofereceu 4.000 contratos (US$ 200 milhões) e vendeu a totalidade. Em todo o dia, o BC retirou do sistema, por meio destes leilões, US$ 1,630 bilhão. Mesmo assim, o dólar caiu